sábado, 17 de agosto de 2019

Era uma vez, outro dia, pensando sobre cultura, participação popular, políticas culturais, projetos socioeducativos...
Não sou gênio, mas adquiri um bom raciocínio ao longo da minha agitada e conturbada formação acadêmica. Eu sou a mosca da sopa!

Cultura é uma prática coletiva em si própria, enquanto se constrói nas convivências, contatos e conexões.
Do jarro verdade, na fábula do desastrado Anjo encarregado por Deus para trazer A Verdade aos homens... ironia ou não o jarro era de barro e se quebrou... o Anjo não querendo incorrer em possíveis repreenssões divinas e coléricas... entregou pedacinhos da verdade a cada homem da terra. Dado este fato, ficamos com pelo menos duas opções:
Apegar-se aquela verdade que recebemos e acreditar ser A Verdade... ou procurar com os outros homens os pedacinhos de verdade que nos faltam para quem sabe montar o jarro inteiro, conforme acreditamos que um dia tenha sido.
Neste contexto a liberdade é um exercício pessoal de tolerância para o bem estar social no trabalho de reconstrução do jarro da verdade.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Vazio Nosso de Cada Dia!

Estava lendo uma reportagem no caderno Donna ZH, falava sobre como as francesas eram estilosas e magras. Como elas fazem isso com todas aquelas comidinhas gostosas das quais os franceses são famosos também, além da moda?
Saltei então para aquele sentimento de vazio que todos os dias nos ameaça corroer o espirito e dominar nossa alma, atirando-nos ao abismo da depressão.
Outro salto, mas não se aflijam, porque vou chegar lá...
Pensei nas inúmeras formas de compulsão a que somos levados, na tentativa de preencher um espaço permanentemente em nossa alma... Comidas em excesso, comprar exageradamente, sair por aí procurando o primeiro ou a primeira para se entregar (sexualmente falando), e também todas as drogas que nos fazem esquecer o mundo, fugir de nosso vazio interior, encontrar uma outra realidade que nos faça esquecer as amarguras da vida.
Mecanismos de defesa são vários, e nesta cesta entra até jogos de computador que simulam uma realidade paralela, muitas vezes formulada ao nosso gosto, uma forma tão simples de moldar o mundo do jeito que gostaríamos, seria lindo se não fosse uma mentira.
Mentiras, sim mentiras, tudo isso são mentirinhas que fazemos para evitar olhar para nossas dores, procurar esconder o feio da nossa vida. Sugiro o espetáculo portoalegrense O Feio, muito interessante, e com muitas metáforas sobre o assunto realmente inquietante. https://www.facebook.com/atociacenicaofeio
Bem, mas o que isto tem a ver com as francesas? É simples, pois na reportagem mesmo falava do estilo de vida dos franceses, um estilo de vida que privilegia o autentico, aos fast food, o equilíbrio, às compulsões, aceitar a vida como ela é tirando dela o que tem de melhor.
Em suma, viver cada dia em um dia, não sofrer de ansiedade crônica, não esperar tanto de um dia, mas também não subestimar nossa capacidade de superar-nos, e assim não dar chance ao vazio de corromper nossa alma levando-nos ao excesso... Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Parece fácil, e fácil não é, resistir a tentação do nada em nos dominar e transfromar nossa vida em um nada. Como fazer então para fugir da correria imediatista onde tudo é pra ontem, mas o ontem já passou, portanto estamos sempre atrasados. Não é fácil, não é fácil!
Requer uma dose extra de sorrisos logo de manhã, aquela esprequiçada gostosa cinco minutos depois de ouvir o som do despertador, que também pode ser um bom aliado agora que os despertadores estão modernos e podemos configurar uma música ao nosso gosto, para começar o dia com o pé direito, como se diz em minha terra.
O mais importante de tudo, pra mim no entanto, é nunca perder as esperanças, nunca perder a fé, acreditar em si mesmo, acreditar nas pessoas, não buscar o isolamento só porque não deseja a companhia ou o auxílio da outra pessoa. E isso, pra mim, não parece tão difícil, não é? É simples, e nunca falei que o simples seria fácil, é tão difícil conquistar a simplicidade quanto a facilidade de comprar estas drogas que pretendem solucionar nosso problema com o vazio que promete e tenta com todas as forças nos dominar.
Mas nós todos somos fortes, não é mesmo, e juntos lutamos sem medo, e juntos podemos ser felizes, elegantes, magros e saudáveis.
Um bom dia a todos, e muita felicidade nas suas vidas!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Uma mensagem de Deus!

Gosto muito de pensar no filme "Love Actually", não que tenha sido espetacular, mas por que transmitiu de maneira simples e clara que o amor está no ar e não percebemos. A correria através dos tempos em busca de uma felicidade situada no além, nos faz negar a felicidade de agora.
A arte muitas vezes nos aproxima de temas difícieis de aceitar como nossa descrença em nossos semelhantes e desiguais indivíduos da espécie humana. Buscamos respostas - dizem alguns - quero entender o mundo - dizem outros, e saem a campo atrás de provas de que o mundo é o que realmente vemos.
 Costuma-se fazer pouco dos sentimentos, porém muitas vezes são eles que podem nos fazer entender certas situações. Subestimamos o poder da imaginação, as vezes a razão parece fazes mais sentido, quando na verdade não se trata de lógica mas de crença. Há tempos de pensar e de agir, mas também aqueles de sentir e acreditar. Nem tudo no mundo será explicado pelo método científico, e muitas coisas serão sequer explicadas por algum método racional. As vezes a única possibilidade será crer em nossos sentidos, o mundo é tão complexo que mais de uma religião já foi criada para tentar explica-lo.
Mas será que a religião explica tudo no mundo? Será que a ciencia terá, um dia, a resposta para a vida, o universo e tudo mais?
Não sei, sou demasiado ignorante para poder formular uma resposta técnicamente perfeita e lógica, e meu coração é muito confuso para perceber com clareza O Caminho. As vezes é melhor ter fé e confiar que estamos fazendo todo o possível para um mundo melhor.  Devemos buscar todas as ferramentas lógicas ou sentimentais para que possamos seguir, harmoniosamente, em nossas relações com a Mãe Natureza. Ela que até já teve seus direitos reconhecidos em lei.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A inspiração vem de onde, de longe?

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Estou tão cansada, seria tão bom poder descançar... Sim, descançar numa banheira cheia de água morna com hidromassagem.
Meu Deus! E este morcego!
Que ano bom este 2012, quantas coisas ficaram por fazer, mas outras tantas foram concluídas com satisfação, que venha o 13.
E agora, vede: A bruta ardência orgânica da sede, morde-me a goela ígneo e escaldante molho. Pensamentos revoam em minha cabeça, penso no que passou e no que virá.
Mas o que virá?
Sem saber o que o futuro me resguarda faço planos, “Vou mandar levantar outra parede“ -Digo.
Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho e olho o teto.
Acho que vou pintar o teto de bege, mas não...
E vejo-o ainda, igual a um olho circularmente sobre a minha rede!
O impossível é tarefa para os fortes, tem que estar preparado para o por vir.
Pego de um pau. Esforços faço. Chego quase a tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
Realmente é para arrepiar todos os pêlos do corpo, não saber de onde vem o mundo, e o pior é nem ter ideia de para onde vamos.
O peso dos fatos a pressionar os músculos das costas e os recônditos da mente.
A consciência humana é este morcego!
Como no conto do Scrooge de Dickens, o passado nos assombra mais que o futuro. Por mais que a gente faça, à noite, ele entra imperceptivelmente em nosso quarto!
Perceber a tarefa humana requer capacidade e sensibilidade, em minha opinião ninguém o fez melhor que Augusto dos Anjos.
Este tinha peso na consciência.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Conheci um Poeta

Sentada num banco de jardim pensava na vida enquanto tentava ler um livro. Quem sou eu, o que estou fazendo com a minha vida, e quem são estas pessoas que me rodeiam. As vezes fico pensando, cá com meus botões qual o sentido de tudo que eu faço. Por que faço coisas que causam desconforto aos outros e bem aqui dentro do peito? Um poeta se proximou de mim e perguntou:
- Valeu a pena?
Respondi que sim, pois nada poderia ter sido diferente. Sentando-se ao meu lado ele então falou:
- Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Olhando-me com um sorriso daqueles que demonstram que já viu tudo nesta vida completou:
 - Quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor.
 Tirou do bolso um caderninho e já estava anotando estas palavras quando levantou a cabeças como que se lembra de algo, e olhando-me de um jeito paternal, enquanto arrancava uma pagina, disse-me:
- Anotei estes versos certo dia, mas não se trata de poesia. Sim, são somente elegias de um velho triste.
Amassou o papelzinho e jogou por de trás do ombro. Levantou-se e saiu no seu andar arrastado. Peguei o papel e desdobrei, nele se encontravam palavras de pranto por feitos heróicos, dizia assim:
"Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar, para que fosses nosso , ó mar!
Neste momento finalmente realizei para o fato de que tanto já foi feito para que possamos ainda estar no planeta, e o que eu vou fazer para que outros mais possam estar. Percebi então que o poeta havia deixado o caderninho no banco de jardim, não resisti e abri numa pagina qualquer, e estava escrito assim:
"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu."

Então era verdade, e fechei o livro com um sentimento de esperanças renovado, e foi então que enxerguei na capa a seguinte inscrição: "Álbum de Ideias de F.P. - Um Poeta Perdido Dentro de seus Próprios EUS"
Caminhando em direção ao mar peguei uma linda concha com um canto agudo e afiado, e escrevi na areia:
"O ESTICADOR DE HORIZONTES"