Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Estou tão cansada, seria tão bom poder descançar... Sim, descançar numa banheira cheia de água morna com hidromassagem.
Meu Deus! E este morcego!
Que ano bom este 2012, quantas coisas ficaram por fazer, mas outras tantas foram concluídas com satisfação, que venha o 13.
E agora, vede: A bruta ardência orgânica da sede, morde-me a goela ígneo e escaldante molho. Pensamentos revoam em minha cabeça, penso no que passou e no que virá.
Mas o que virá?
Sem saber o que o futuro me resguarda faço planos, “Vou mandar levantar outra parede“ -Digo.
Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho e olho o teto.
Acho que vou pintar o teto de bege, mas não...
E vejo-o ainda, igual a um olho circularmente sobre a minha rede!
O impossível é tarefa para os fortes, tem que estar preparado para o por vir.
Pego de um pau. Esforços faço. Chego quase a tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
Realmente é para arrepiar todos os pêlos do corpo, não saber de onde vem o mundo, e o pior é nem ter ideia de para onde vamos.
O peso dos fatos a pressionar os músculos das costas e os recônditos da mente.
A consciência humana é este morcego!
Como no conto do Scrooge de Dickens, o passado nos assombra mais que o futuro. Por mais que a gente faça, à noite, ele entra imperceptivelmente em nosso quarto!
Perceber a tarefa humana requer capacidade e sensibilidade, em minha opinião ninguém o fez melhor que Augusto dos Anjos.
Este tinha peso na consciência.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Conheci um Poeta
Sentada num banco de jardim pensava na vida enquanto tentava ler um livro. Quem sou eu, o que estou fazendo com a minha vida, e quem são estas pessoas que me rodeiam. As vezes fico pensando, cá com meus botões qual o sentido de tudo que eu faço. Por que faço coisas que causam desconforto aos outros e bem aqui dentro do peito? Um poeta se proximou de mim e perguntou:
- Valeu a pena?
Respondi que sim, pois nada poderia ter sido diferente. Sentando-se ao meu lado ele então falou:
- Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Olhando-me com um sorriso daqueles que demonstram que já viu tudo nesta vida completou:
- Quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor.
Tirou do bolso um caderninho e já estava anotando estas palavras quando levantou a cabeças como que se lembra de algo, e olhando-me de um jeito paternal, enquanto arrancava uma pagina, disse-me:
- Anotei estes versos certo dia, mas não se trata de poesia. Sim, são somente elegias de um velho triste.
Amassou o papelzinho e jogou por de trás do ombro. Levantou-se e saiu no seu andar arrastado. Peguei o papel e desdobrei, nele se encontravam palavras de pranto por feitos heróicos, dizia assim:
"Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar, para que fosses nosso , ó mar!
Neste momento finalmente realizei para o fato de que tanto já foi feito para que possamos ainda estar no planeta, e o que eu vou fazer para que outros mais possam estar. Percebi então que o poeta havia deixado o caderninho no banco de jardim, não resisti e abri numa pagina qualquer, e estava escrito assim:
"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu."
Então era verdade, e fechei o livro com um sentimento de esperanças renovado, e foi então que enxerguei na capa a seguinte inscrição: "Álbum de Ideias de F.P. - Um Poeta Perdido Dentro de seus Próprios EUS"
Caminhando em direção ao mar peguei uma linda concha com um canto agudo e afiado, e escrevi na areia:
"O ESTICADOR DE HORIZONTES"
- Valeu a pena?
Respondi que sim, pois nada poderia ter sido diferente. Sentando-se ao meu lado ele então falou:
- Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Olhando-me com um sorriso daqueles que demonstram que já viu tudo nesta vida completou:
- Quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor.
Tirou do bolso um caderninho e já estava anotando estas palavras quando levantou a cabeças como que se lembra de algo, e olhando-me de um jeito paternal, enquanto arrancava uma pagina, disse-me:
- Anotei estes versos certo dia, mas não se trata de poesia. Sim, são somente elegias de um velho triste.
Amassou o papelzinho e jogou por de trás do ombro. Levantou-se e saiu no seu andar arrastado. Peguei o papel e desdobrei, nele se encontravam palavras de pranto por feitos heróicos, dizia assim:
"Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar, para que fosses nosso , ó mar!
Neste momento finalmente realizei para o fato de que tanto já foi feito para que possamos ainda estar no planeta, e o que eu vou fazer para que outros mais possam estar. Percebi então que o poeta havia deixado o caderninho no banco de jardim, não resisti e abri numa pagina qualquer, e estava escrito assim:
"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu."
Então era verdade, e fechei o livro com um sentimento de esperanças renovado, e foi então que enxerguei na capa a seguinte inscrição: "Álbum de Ideias de F.P. - Um Poeta Perdido Dentro de seus Próprios EUS"
Caminhando em direção ao mar peguei uma linda concha com um canto agudo e afiado, e escrevi na areia:
"O ESTICADOR DE HORIZONTES"
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