quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A inspiração vem de onde, de longe?

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Estou tão cansada, seria tão bom poder descançar... Sim, descançar numa banheira cheia de água morna com hidromassagem.
Meu Deus! E este morcego!
Que ano bom este 2012, quantas coisas ficaram por fazer, mas outras tantas foram concluídas com satisfação, que venha o 13.
E agora, vede: A bruta ardência orgânica da sede, morde-me a goela ígneo e escaldante molho. Pensamentos revoam em minha cabeça, penso no que passou e no que virá.
Mas o que virá?
Sem saber o que o futuro me resguarda faço planos, “Vou mandar levantar outra parede“ -Digo.
Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho e olho o teto.
Acho que vou pintar o teto de bege, mas não...
E vejo-o ainda, igual a um olho circularmente sobre a minha rede!
O impossível é tarefa para os fortes, tem que estar preparado para o por vir.
Pego de um pau. Esforços faço. Chego quase a tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
Realmente é para arrepiar todos os pêlos do corpo, não saber de onde vem o mundo, e o pior é nem ter ideia de para onde vamos.
O peso dos fatos a pressionar os músculos das costas e os recônditos da mente.
A consciência humana é este morcego!
Como no conto do Scrooge de Dickens, o passado nos assombra mais que o futuro. Por mais que a gente faça, à noite, ele entra imperceptivelmente em nosso quarto!
Perceber a tarefa humana requer capacidade e sensibilidade, em minha opinião ninguém o fez melhor que Augusto dos Anjos.
Este tinha peso na consciência.

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