Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Estou tão cansada, seria tão bom poder descançar... Sim, descançar numa banheira cheia de água morna com hidromassagem.
Meu Deus! E este morcego!
Que ano bom este 2012, quantas coisas ficaram por fazer, mas outras tantas foram concluídas com satisfação, que venha o 13.
E agora, vede: A bruta ardência orgânica da sede, morde-me a goela ígneo e escaldante molho. Pensamentos revoam em minha cabeça, penso no que passou e no que virá.
Mas o que virá?
Sem saber o que o futuro me resguarda faço planos, “Vou mandar levantar outra parede“ -Digo.
Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho e olho o teto.
Acho que vou pintar o teto de bege, mas não...
E vejo-o ainda, igual a um olho circularmente sobre a minha rede!
O impossível é tarefa para os fortes, tem que estar preparado para o por vir.
Pego de um pau. Esforços faço. Chego quase a tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
Realmente é para arrepiar todos os pêlos do corpo, não saber de onde vem o mundo, e o pior é nem ter ideia de para onde vamos.
O peso dos fatos a pressionar os músculos das costas e os recônditos da mente.
A consciência humana é este morcego!
Como no conto do Scrooge de Dickens, o passado nos assombra mais que o futuro. Por mais que a gente faça, à noite, ele entra imperceptivelmente em nosso quarto!
Perceber a tarefa humana requer capacidade e sensibilidade, em minha opinião ninguém o fez melhor que Augusto dos Anjos.
Este tinha peso na consciência.
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